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Palmas, 08 de junho de 2008

Maioria das cidades do
Tocantins possui lixões

Meio Ambiente - Segundo o Naturatins, só 33 municípios
têm aterros;78 não dispõem e 28 aguardam licenciamento

Maria Letícia Ferreira
Palmas

Mais da metade dos municípios do Tocantins não possui aterro sanitário. De acordo com o Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) das 139 cidades do Estado 33 possuem aterro sanitário e em 28 os processos para licenciamento estão em andamento. Nos outros 78 municípios o destino final dos resíduos são os lixões.

Entre os malefícios da disponibilização dos lixos a céu aberto estão a poluição do ar, do solo, das águas além da geração de doenças. Segundo o chefe da assessoria técnica de planejamento do Naturatins, Raul Rodrigues de Freitas Júnior, o sistema mais adequado de destinação final do lixo é o aterro sanitário.

A responsabilidade para a instalação dos aterros, de acordo com Freitas Júnior, é dos municípios. Aos órgãos ambientais cabe a definição de áreas adequadas, realização de diagnóstico simplificado sobre o gerenciamento de resíduos sólidos, apoio à elaboração e implantação de gerenciamento, capacitação dos técnicos locais para operação e monitoramento dos sistemas de gestão implantados, além de orientação sobre os pré-requisitos técnicos e preenchimento de formulários da Fundação Nacional da Saúde (Funasa). Já ao Governo Federal, por meio da Funasa, cabe subsidiar recursos financeiros para a construção dos aterros e ao Ministério Público Estadual (MPE) fiscalizar o andamento do sistema.

A instalação dos aterros sanitários nos municípios é prevista por lei. Além disso, uma série de regras é exigida para o funcionamento desses que devem ser licenciados ambientalmente.

Para o promotor de meio ambiente José Maria da Silva Júnior, é inadmissível ainda existir lixões a céu aberto. “A legislação possibilita ao Ministério Público atuar por meio de ações civis públicas para obrigar o município a dispor de forma adequada esses resíduos.” O promotor afirma que recursos existem, o que está faltando é vontade política.

ESTUDO
Segundo um estudo do Naturatins, o tocantinense produz cerca de 650 gramas de lixo ao dia. Já em relação ao brasileiro, a media varia de 500 a 700 gramas por dia. Freitas Júnior garante que a cada dia a população está produzindo mais lixo e que a responsabilidade para que os resíduos não afetem tanto o meio ambiente não cabe apenas ao poder público. A população também pode cooperar e uma das alternativas é a coleta seletiva. “Cada dia a gente está produzindo mais lixo, mais lixo e mais lixo. Nós temos que pensar em uma forma de tornar esse lixo mais biodegradável em menor tempo”, disse.

O promotor do meio ambiente aponta que uma das vantagens em relação à coleta seletiva é o aumento no tempo de vida útil dos aterros. “Essas áreas possuem uma determinada vida útil e é preciso que os municípios otimizem os meios para alongar a essa vida útil do aterro sanitário, especialmente através da coleta seletiva, que é capaz de dilatar bastante esse prazo. Melhorando a gestão do lixo você diminui os custos do município com o próprio aterro sanitário.”

MUNICÍPIOS
Na Prefeitura de Pium, a 181 quilômetros da Capital, o secretário de administração Antônio Carlos, garantiu que existe interesse de instalação por parte da atual gestão e que a viabilização de recursos já está sendo providenciada. Em Miracema, a 78 quilômetros de Palmas, o secretário de Meio Ambiente Elias Pontes Pereira, informou que está aguardando algumas pendências na Justiça e que após isso ser resolvido a prefeitura entrará com o processo para instalação do aterro no Naturatins. O secretario de Miranorte, Ademir Cruz, garantiu que um consórcio entre as prefeituras de Miracema e Miranorte está sendo providenciado para que o aterro atenda aos dois municípios.

O Jornal do Tocantins tentou contato com demais prefeituras dos municípios que não possuem aterro sanitário, porém em muitas não conseguiu contato. Em algumas os telefones não eram atendidos e em outras os responsáveis estavam viajando.

Saiba mais
Algumas exigências para a construção de aterros sanitários:

O local selecionado para implantação de aterros deve possuir características que permitam controlar os riscos de contaminação da água, do ar, e do solo;

Ter localização que permita maior racionalização do transporte do lixo coletado em todo município;

Ser dotado de amplitude e topografia dominante que possibilite sua utilização por período razoavelmente longo, a fim de amortizar os investimentos necessários à implantação do aterro sanitário;

Deve dispor de facilidade e possibilidade de múltiplos acessos;

Ser, de preferência, local de baixo valor de aquisição, mas que conte com sistemas de serviços públicos próximas, tais como rede elétrica, de água e de telefone;

Ser suficientemente afastado de zonas urbanas, a fim de poupar a população do desconforto visual e de riscos à saúde pública, conservando, no entanto, relativa proximidade dos centros de coleta de lixo;

Ser suficientemente afastado de poços e pontos de captação de água destinada ao abastecimento público e não situar-se em áreas destinadas à proteção de mananciais;

Devem, ainda, ser considerado as medidas de proteção ambiental e a lei do uso do solo, além dos possíveis impedimentos sanitários, econômico e políticos, que possam eventualmente ocorrer na escolha da área para afins de aterro sanitário;

Deve o terreno ser selecionado, preferencialmente, em áreas que necessitam recuperação, a exemplo de terrenos erodidos, considerando-se também os fatores relativos a oportunidade de desapropriação e facilidade de aquisição.

Fonte: Universidade Federal de Minas Gerais