| Lenha na fogueira Dídimo Heleno Póvoa Aires
dibeleno@yahoo.com.br
é advogado, membro das Academias Palmense e Tocantinense Maçônica de Letras
Desde a criação do Estado de Israel, em 1948, motivada
pelo estarrecimento do mundo diante das atrocidades cometidas pelo Nazismo, sob o comando
de Hitler, que resultou na dizimação de cerca de seis milhões de judeus durante a 2ª
Guerra Mundial, os Estados Unidos vêm oferecendo total apoio aos israelenses,
principalmente no que diz respeito ao arsenal bélico.
Em 1967 a Guerra dos Seis Dias permitiu que
Israel anexasse ao seu território as Colinas de Golan, a Península do Sinal e a Faixa de
Gaza. Um dos motivos do interminável conflito entre árabes e israelenses é a recusa de
Israel em devolver Golan à Síria. Outra questão mal resolvida é a divisão da cidade
santa de Jerusalém. A sua parte ocidental está localizada em território israelense; a
parte oriental, em território palestino.
Quando o rei Davi instalou pela primeira vez um Estado
Hebreu, as disputas por Jerusalém se tornaram constantes. A Intifada (nome
que se dá ao levante de palestinos contra judeus) do ano 2000 ocorreu porque o então
líder israelense Ariel Sharon visitou a parte oriental da cidade, onde fica um trecho do
Muro das Lamentações, gerando uma revolta de proporções bíblicas. Isso apenas
demonstra o quanto é delicada a questão.
Há muito tempo Israel vem tentando anexar definitivamente
a cidade de Jerusalém aos seus domínios, pretensão repudiada até mesmo pelos Estados
Unidos, que durante anos procuraram intermediar acordos de paz entre os dois povos, sempre
infrutíferos. Como se sabe, os palestinos não possuem um Estado soberano, com fronteiras
definidas. Com a criação da OLP - Organização para a Libertação da Palestina - a
região passou a manter relações diplomáticas com outras Nações, sob a liderança do
já falecido Yasser Arafat, que deu maior visibilidade à causa. Contudo, uma solução
pacífica para o conflito está longe de acontecer.
O candidato do Partido Democrata americano à presidência
dos Estados Unidos, Barack Obama, fez, recentemente, uma declaração desnecessária, o
que só complica as tentativas de solução para o entrevero do Oriente Médio. Durante um
discurso, o jovem candidato disse: Jerusalém continuará a ser a capital de Israel
e ela precisa continuar a ser uma cidade indivisa. Perdeu a oportunidade de ficar
calado.
Como era de se esperar, o líder palestino Mahmoud Abbas
reagiu prontamente, dizendo que tal declaração deve ser rejeitada de imediato e que
Obama está fechando as portas para a paz. Antes mesmo de iniciar a campanha oficial para
as eleições americanas, o mundo observa o anúncio de futuras atrocidades naquela
região. Jerusalém é assunto que os palestinos rejeitam em qualquer tentativa de acordo,
pois não abrem mão do controle sobre parte da cidade. Israel, por outro lado, sonha em
dominar inteiramente o mesmo território.
Para o escritor israelense Amós Oz, o ódio entre os dois
povos é tão arraigado que, mesmo que se criasse um Estado Palestino soberano, não
haveria a garantia de que a paz pudesse reinar completamente na região, mas apenas
diminuiria o número de mortes, o que não deixa de ser um avanço. As causas que levam a
tanta matança e incompreensão remontam aos primórdios da humanidade e envolvem fé,
paixões exacerbadas, irracionalidades causadas pelo fanatismo e todo tipo de
intolerância. É uma disputa agrária com fortes conotações religiosas. Obama, como
possível líder da mais poderosa Nação do mundo, e que exerce grande influência na
região, poderia ter evitado jogar mais lenha numa fogueira que insiste em se manter acesa
desde que Javé prometeu a Abraão a terra por onde deveria correr leite e
mel. Infelizmente, os líquidos ali derramados são mais conhecidos pelos nomes de
sangue e lágrima. |