TENDÊNCIAS
E
IDÉIAS

Palmas, 08 de junho de 2008

Lenha na fogueira

Dídimo Heleno Póvoa Aires
dibeleno@yahoo.com.br
é advogado, membro das Academias Palmense e Tocantinense Maçônica de Letras

Desde a criação do Estado de Israel, em 1948, motivada pelo estarrecimento do mundo diante das atrocidades cometidas pelo Nazismo, sob o comando de Hitler, que resultou na dizimação de cerca de seis milhões de judeus durante a 2ª Guerra Mundial, os Estados Unidos vêm oferecendo total apoio aos israelenses, principalmente no que diz respeito ao arsenal bélico.

Em 1967 a “Guerra dos Seis Dias” permitiu que Israel anexasse ao seu território as Colinas de Golan, a Península do Sinal e a Faixa de Gaza. Um dos motivos do interminável conflito entre árabes e israelenses é a recusa de Israel em devolver Golan à Síria. Outra questão mal resolvida é a divisão da cidade santa de Jerusalém. A sua parte ocidental está localizada em território israelense; a parte oriental, em território palestino.

Quando o rei Davi instalou pela primeira vez um Estado Hebreu, as disputas por Jerusalém se tornaram constantes. A “Intifada” (nome que se dá ao levante de palestinos contra judeus) do ano 2000 ocorreu porque o então líder israelense Ariel Sharon visitou a parte oriental da cidade, onde fica um trecho do Muro das Lamentações, gerando uma revolta de proporções bíblicas. Isso apenas demonstra o quanto é delicada a questão.

Há muito tempo Israel vem tentando anexar definitivamente a cidade de Jerusalém aos seus domínios, pretensão repudiada até mesmo pelos Estados Unidos, que durante anos procuraram intermediar acordos de paz entre os dois povos, sempre infrutíferos. Como se sabe, os palestinos não possuem um Estado soberano, com fronteiras definidas. Com a criação da OLP - Organização para a Libertação da Palestina - a região passou a manter relações diplomáticas com outras Nações, sob a liderança do já falecido Yasser Arafat, que deu maior visibilidade à causa. Contudo, uma solução pacífica para o conflito está longe de acontecer.

O candidato do Partido Democrata americano à presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, fez, recentemente, uma declaração desnecessária, o que só complica as tentativas de solução para o entrevero do Oriente Médio. Durante um discurso, o jovem candidato disse: “Jerusalém continuará a ser a capital de Israel e ela precisa continuar a ser uma cidade indivisa”. Perdeu a oportunidade de ficar calado.

Como era de se esperar, o líder palestino Mahmoud Abbas reagiu prontamente, dizendo que tal declaração deve ser rejeitada de imediato e que Obama está fechando as portas para a paz. Antes mesmo de iniciar a campanha oficial para as eleições americanas, o mundo observa o anúncio de futuras atrocidades naquela região. Jerusalém é assunto que os palestinos rejeitam em qualquer tentativa de acordo, pois não abrem mão do controle sobre parte da cidade. Israel, por outro lado, sonha em dominar inteiramente o mesmo território.

Para o escritor israelense Amós Oz, o ódio entre os dois povos é tão arraigado que, mesmo que se criasse um Estado Palestino soberano, não haveria a garantia de que a paz pudesse reinar completamente na região, mas apenas diminuiria o número de mortes, o que não deixa de ser um avanço. As causas que levam a tanta matança e incompreensão remontam aos primórdios da humanidade e envolvem fé, paixões exacerbadas, irracionalidades causadas pelo fanatismo e todo tipo de intolerância. É uma disputa agrária com fortes conotações religiosas. Obama, como possível líder da mais poderosa Nação do mundo, e que exerce grande influência na região, poderia ter evitado jogar mais lenha numa fogueira que insiste em se manter acesa desde que Javé prometeu a Abraão a terra por onde deveria correr “leite e mel”. Infelizmente, os líquidos ali derramados são mais conhecidos pelos nomes de “sangue e lágrima”.