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Palmas, 08 de junho de 2008

Feirante e camelô poderão contribuir

Previdência - Ministro quer criar uma nova categoria
de contribuinte: o micro-empreendedor individual

Luciana Lima (Agência Brasil)
Brasília

O novo ministro da Previdência, o deputado federal José Pimentel (PT-PE), confirmado na sexta-feira pela Presidência da República, assumirá o cargo na próxima semana com a proposta de criar uma nova categoria de contribuintes para a Previdência Social: o micro-empreendedor individual.

Essa categoria será formada por feirantes, camelôs, sacoleiras, pipoqueiros, enfim, trabalhadores que ainda se encontram na informalidade e que poderão contribuir com R$ 50 mensais para a Previdência.

A proposta tramita na Câmara dos Deputados e o novo ministro quer que ela seja aprovada o mais rápido possível. Em entrevista à Agência Brasil, Pimentel se colocou favorável à ampliação da base de contribuintes da Previdência e da incidência da contribuição sobre o faturamento das empresas e não sobre a folha de pagamento.

Pimentel acredita que, com o crescimento da economia e com a adoção dessas medidas, a tendência é de queda cada vez maior do déficit previdenciário. O ministro tomará posse na próxima quarta-feira, no Palácio do Planalto.

Agência Brasil - O senhor aceitou um desafio um pouco mais complicado, o de assumir um ministério cujo déficit atingiu R$ 2,7 bilhões em abril. O senhor já pensou em soluções para diminuir esse déficit?
José Pimentel - De 2003 pra cá, a realidade é outra. Com a reforma da Previdência, o déficit é decrescente, está reduzindo ano a ano. Nós criamos uma previdência pública básica, com regras únicas para o trabalhador celetista e para o servidor público. Temos um piso de um salário mínimo e um teto que, hoje, soma R$ 3.038,00. Resultado: temos hoje 35 milhões de contribuintes. Em 2003, tínhamos apenas 27 milhões de contribuintes.

O que fez o número de contribuintes aumentar?
- Isso se dá em face de dois grandes motivos. Um é o crescimento da economia, que insere mais trabalhadores com carteira assinada. O outro motivo é a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas. Em junho de 2007, nós tínhamos 1,3 milhão de empresas formais. Agora, em abril de 2008, temos 3 milhões de empresas. Por isso, nesse período, nós aumentamos em 8 milhões os contribuintes da Previdência. Os indicadores de nossa economia são muito sólidos. Por isso, a Previdência, nos quatro primeiros meses de 2008, arrecadou R$ 2,5 milhões a mais que o mesmo período de 2007.

O que o senhor pretende fazer para ampliar mais essa base?
- Vamos fazer a segunda grande mudança no Simples federal, criando o micro-empreendedor individual. A proposta já foi aprovada na Comissão de Finanças da Câmara e está prontinha para ser votada em Plenário com urgência. Queremos trazer mais 4 milhões de contribuintes para a Previdência que são os feirantes, camelôs, sacoleiras, pipoqueiros, borracheiros. Eles terão uma contribuição de R$ 50 por mês para a previdência pública e serão isentos de pagar todos os outros impostos do Simples.

O senhor foi relator da reforma da Previdência, aprovada em 2003. No entanto, os problemas de gestão continuam. O que o senhor pretende fazer para melhorar a gestão da Previdência?
Na reforma da Previdência, lá em 2003, fizemos uma série recomendações. Algumas já estão sendo implantadas. A primeira é a humanização no Sistema de Atendimento ao Beneficiário. Até 2003, levava-se, em média, 120 dias para se fazer uma perícia médica. O presidente Lula determinou a realização de um concurso público, peritos foram contratados e, hoje, o prazo médio no Brasil é de cinco dias.