| SENADO Sarney discutirá com Lula
permanência na presidência
Após pressão do PT para seu afastamento, Sarney
condicionou decisão à conversa que manterá com o presidente
Christiane Samarco, Eugênia Lopes e Denise Madueño (AE)
Brasília
Para sobreviver no cargo, o senador José Sarney (PMDB-AP)
emparedou ontem o PT e tornou o Planalto sócio de sua crise. Diante da sugestão de
afastamento do comando da Casa apresentada por senadores petistas, o presidente do Senado
ameaçou renunciar ao cargo, fato que desencadearia um processo sucessório fratricida na
Casa e abalaria a aliança PT-PMDB em 2010. Sarney avisou que só decidirá sobre sua
permanência ou não no comando do Senado depois de uma conversa reservada com o
presidente Lula.
A cúpula do PMDB no Senado insiste em manter Sarney com o
argumento de que o fundamental para isto é o apoio do presidente da República e do
governo, com os quais ele vem contando. A sustentação política no Senado, entretanto,
míngua a cada dia e as baixas não pararam ontem. Depois de ter sido abandonado pelo DEM
e pelo PDT, de ter virado alvo de uma representação do PSOL no Conselho de Ética e de
um pedido de afastamento do PSDB, Sarney ainda teve que ouvir a sugestão do PT para que
se licenciasse. Assim não dá. Agora a situação ficou insustentável,
avaliou um peemedebista que integra o grupo mais próximo de Sarney.
Mas o clima na bancada do PMDB não é de desânimo, e sim
de revolta com a traição do DEM e de vingança. Além de escalar uma tropa
de choque para detratar os adversários que entoaram o fora Sarney, o PMDB vai
operar para que toda a artilharia contra o partido se volte para o DEM e a primeira
secretaria. O partido entende que a crise do Senado é de natureza administrativa e quem
tem que responder por ela é o partido que comandou a primeira secretaria na última
década: o DEM.
A conversa com o PT ocorreu logo cedo, quando Sarney
recebeu em sua casa o líder da bancada Aloizio Mercadante (SP) e a líder do governo no
Congresso, senadora Ideli Salvatti (PT-SC). Diante da proposta para que se afastasse do
cargo durante a apuração das denúncias contra ele, o presidente foi taxativo:
Licença eu não aceito. Ou me afasto de vez, ou fico no cargo com o apoio de
vocês.
Na véspera, sete petistas haviam defendido com veemência
o afastamento de Sarney, em reunião da bancada que se estendera até a meia-noite. Nove
dos 12 senadores petistas já estão preocupados com o eleitorado, porque encerraram seus
mandatos e terão de enfrentar as urnas. Foi diante disso que Mercadante se viu forçado a
produzir um fato político no dia seguinte, anunciando que sua bancada recomendara o
afastamento de Sarney, mas que não transformaria sua saída em exigência.
| Prós
e contras |
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| Contagem Numericamente, Sarney já acumula contra si a
oposição de cinco partidos - DEM, PSDB, PDT, PSOL e PT - que somam 44 dos 81 votos, sem
contar os três dissidentes do PMDB. Mas a matemática política de Sarney é outra. Seu
grupo contabiliza, a seu favor, pelo menos três votos do DEM e dois do PSDB, além de
contar com a metade dos 12 petistas e outras traições, facilitadas pelo voto secreto no
caso de um eventual processo de cassação. |
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