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Palmas, 02 de julho de 2009

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CRISE ECONÔMICA

Na Cúpula Africana, Lula volta a culpar ricos

Andrei Netto (AE)
Trípoli, Líbia

Único convidado de honra presente à Cúpula da União Africana, aberta ontem em Sirte, na Líbia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva responsabilizou os países industrializados pela crise do sistema financeiro e pelo “caráter perverso da ordem internacional”. O discurso, aplaudido por chefes de Estado e de governo e por líderes tribais africanos, foi sucedido por críticas à imprensa, pelo que chamou de “preconceito premeditado” por sua proximidade a ditadores locais.

A participação do presidente brasileiro na cúpula foi ressaltada pela ausência dos demais convidados especiais. Silvio Berlusconi, primeiro-ministro da Itália, e Ban Ki-moon, secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), cancelaram suas presenças, até a véspera anunciadas como certas pelo cerimonial do evento. Outro ausente foi Mahmoud Ahmadinejad, presidente reeleito do Irã, cuja falta não foi justificada publicamente. Ahmadinejad ficaria sentado ao lado de Lula, que por sua vez ladearia o ditador líbio Muamar Kadafi.

Lula começou seu discurso definindo Kadafi como “meu amigo, meu irmão e líder”. Logo de início, elogiou “a persistência e a visão de ganhos cumulativos que norteia os líderes africanos” e ressaltou que “consolidar a democracia é um processo evolutivo”. A partir de então, o presidente deu início a repetidas críticas aos países industrializados.