| CRISE ECONÔMICA Na Cúpula Africana, Lula volta a culpar ricos
Andrei Netto (AE)
Trípoli, Líbia
Único convidado de honra presente à Cúpula da União
Africana, aberta ontem em Sirte, na Líbia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
responsabilizou os países industrializados pela crise do sistema financeiro e pelo
caráter perverso da ordem internacional. O discurso, aplaudido por chefes de
Estado e de governo e por líderes tribais africanos, foi sucedido por críticas à
imprensa, pelo que chamou de preconceito premeditado por sua proximidade a
ditadores locais.
A participação do presidente brasileiro na cúpula foi
ressaltada pela ausência dos demais convidados especiais. Silvio Berlusconi,
primeiro-ministro da Itália, e Ban Ki-moon, secretário-geral da Organização das
Nações Unidas (ONU), cancelaram suas presenças, até a véspera anunciadas como certas
pelo cerimonial do evento. Outro ausente foi Mahmoud Ahmadinejad, presidente reeleito do
Irã, cuja falta não foi justificada publicamente. Ahmadinejad ficaria sentado ao lado de
Lula, que por sua vez ladearia o ditador líbio Muamar Kadafi.
Lula começou seu discurso definindo Kadafi como meu
amigo, meu irmão e líder. Logo de início, elogiou a persistência e a
visão de ganhos cumulativos que norteia os líderes africanos e ressaltou que
consolidar a democracia é um processo evolutivo. A partir de então, o
presidente deu início a repetidas críticas aos países industrializados. |