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Palmas, 02 de julho de 2009

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FLIP

Prêmios mudam rotina de reclusos escritores

Ubiratan Brasil (AE)
São Paulo

De professor universitário, Cristovão Tezza transformou-se em nome cobiçado dos principais eventos literários do País. Estreante na literatura, Tatiana Salem Levy logo acompanhará sua história de estreia transformada em filme. Já a vida pacata da irlandesa Anne Enright metamorfoseou-se em viagens emendadas, a ponto de ela começar a categorizar as toalhas dos diversos hotéis pelos quais passou. Tatiana, Anne e Tezza já estão em Paraty para 7ª Flip, que começou ontem. Em comum, os três desfrutam das vantagens e dos encargos enfrentados pelos escritores que se tornam celebridade da noite para o dia, com a simples conquista de um relevante prêmio literário.

No ano passado, Tatiana conquistou o Prêmio São Paulo de Literatura - no valor de R$ 200 mil -, na categoria melhor livro de autor estreante, por A Chave de Casa (Record). O livro será em breve publicado na Espanha e na França, e também teve seus direitos vendidos para o cinema recentemente. Também em 2008, Tezza conquistou a incrível façanha de ser o autor mais premiado do ano. Com O Filho Eterno (Record), baseado em sua própria história, pois tem um filho com síndrome de Down, ele conquistou os prêmios Jabuti, Portugal Telecom, Bravo!, APCA e o Prêmio São Paulo de Literatura. Finalmente, Anne Enright surpreendeu o mundo literário ao derrotar favoritos como Ian McEwan e conquistar o Booker Prize de 2007 com O Favorito (Alfaguara), livro que, até antes do anúncio do prêmio, havia vendido apenas 3.500 cópias no Reino Unido - tão logo seu nome foi aclamado, 28 países compraram os direitos de tradução.

“Até O Filho Eterno, os prêmios não chegaram a atrapalhar minha vida”, conta Tezza. “Somando com o aumento do espaço da literatura, o que aconteceu é que fiquei completamente sem tempo para nada.”

Tatiana Salem Levy sentiu uma mudança no tratamento dedicado à sua obra. “Depois do Prêmio São Paulo, tenho sido chamada com frequência a participar de palestras e festivais literários”, comenta. “Minha vida literária mudou muito. Para mim, o prêmio funciona como uma espécie de ‘certificado de garantia.

Anne Enright também aproveitou as viagens para fazer anotações. Em um diário publicado no London Review of Books, ela relembra suas várias andanças, sem saber onde exatamente está.